segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PAI E FILHO

“Atrevi-me chamar-Lhe Pai” é o título de um livro escrito por uma ex-mulçumana e que expressa bem o privilégio da criatura promovida a filho.
Não há como perceber a dimensão deste fato histórico para a humanidade que é sair da condição de ser criado para o de filho adotado.
Enquanto criatura o homem sobrevive no meio do caos, perdido, desorientado, numa busca a qual ele próprio não se dá conta.
O entendimento do porque e para que da sua existência é a eterna pergunta sem resposta feita por todos até que venha se encontrar com o Criador. Quando isto ocorre percebe-se, agora, Deus na Sua dimensão indescritível e O experimenta como Pai. Tudo agora fará sentido. Perceber-se-á cores, aroma e vida num mundo caótico e sem esperança.
A verdade é que desde que o homem se rebelou e afastou-se do Criador, este planejou um reencontro, um retorno, uma reconciliação. No Éden Deus procurava Adão depois da queda. Hoje, Deus continua à procura do homem no jardim destruído.
O vazio do homem é da dimensão exata de Deus, seu Criador. Ele não sabe, mas como cego, tateia em Sua busca. Sedento, bebe água salobra que não o dessedenta. Faminto, come o pão de dores, por desconhecer o Pão da Vida. Surdo, não ouve os gritos de Deus no meio da algazarra da vida.
Deus, o Criador, soberana e amorosamente, insiste, com Seus braços sempre estendidos, a contactar o homem. Ele não deseja sacrifícios, trocas comerciais, alimentar nosso egoísmo ou atender manipulações. Seu interesse é relacionamento. Tornar-se Pai daqueles que O aceitam e viver uma relação Pai-filho.
Como Pai quer nos dar colo, curar feridas, ensinar, educar, corrigir e, acima de tudo, amar. Quer nos carregar quando cansarmos, defender-nos quando lutamos e levar-nos ao sucesso.
Experimentá-Lo como Pai foi o melhor que poderia ter-me acontecido.

SCM

22/11/2013

2 comentários:

  1. A reconciliação é mesmo poderosa. Ainda mais quando já O experimentámos como Pai mas por iniciativa própria nos afastámos, e depois voltarmos a reencontrar e sentir de novo aquele acolher, o sentimento de adopção.

    Muito bom amigo :)

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  2. Valeu Gui. Por isso a parábola do Filho Pródigo é tão linda e profunda. Abração.

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